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O mar quebra em silêncios

Este é um clamor silencioso. Como pode algo tão asustadoramente vasto e imprevisível, ser ao mesmo tempo, pacífico e suave? Mesmo tendo o confrontando em raras ocasiões em minha vida, sigo imaginando que ele faça parte de mim, como um emaranhado de redes que ele recebe em uma quarta-feira fria, ou quando entrelaça em si mesmo, obedecendo a um satélite que sempre o contempla, calmamente, Assim, me sinto como se ele o fosse. Pofundo, incontrolável. Rebentando nas enconstas em silêncios. Em um grito surdo, varrendo pedras e estilhaçando oferendas. Uma carta ao tempo sempre me diz: encontre a si mesmo. Mas quem acaba buscando, se sou eu quem deve ser encontrado? Eu busco essas respostas no mar e, inevitavelmente o visito em sonhos. Esse, por sua vez, nunca me responde. Talvez ele em sua imensidão, sinta que, por não poder proporcionar resoluções as minhas angústias terrenas, possa me acalentar em retorno, e nas ondas, ele me responde em silêncios. Será que já me perdi no mar em outra vida?...

BAR SUR

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I have a thousand words to say, but i cannot utter a sound. Endless feellings broken in waves of a immaginarie sea of colours. My eyes shered all unspokable tears of future happiness.  The past are now and forever, more than words. Hoy, me llamo estrella de oscuridad.

Círculo

As vezes deixo o vento me arrebetar e percebo, em uma breve disassociação, a delicadeza dos sinais transitórios entre a primavera, o verão, outono e o inverno. O eterno ciclo em torno do sol, do vento, as nuvens, a chuva e o mar. De certa forma, todas as saudações e despedidas tem sido as mesmas, como se flutuássemo em ondas. Rostos diferentes, corações de formas diferentes, todos debaixo do mesmo sol, formando sombras diferentes. Não falta nada, tampouco é suficiente. Creio que haja uma razão em sermos chamados por nossos nomes, assim como há uma razão para o sentimento que repousa dentro de mim quando, observo as alegrias de um nascer do sol sem pressa. Coisas que não posso segurar nas mãos, mas que ainda assim existem diante dos meus olhos. O lado bom de mim que eu definitivamente conheço e o ciclo obscuro em volta de uma lua a qual nunca gravitacionei. Mesmo que as memórias desapareçam, algo sempre permanece. Meus sonhos de infância em um mundo verde esmeralda ou meus pesadelos rec...

Terça-feira, 39º graus

"Se te comparo a um dia de verão? És por certo mais belo e mais ameno O vento espalha as folhas de maio pelo chão E o tempo do verão é bem pequeno. Às vezes brilha o Sol em demasia Outras vezes obscurece com frieza; O que é belo declina num só dia, Na eterna mutação da natureza. Mas em ti o verão será eterno, e a beleza que tens não perderás; Nem chegarás exausta ao triste inverno Quando os versos te elevarem à eternidade: Enquanto a humanidade puder respirar e ver, Viverá meu canto, e ele te fará viver." Vi a última estrofe desse poema em um corrimão de Taguatinga. Achei bonito e tirei um foto pra pesquisar. Soneto 18, Shakespeare. Do lado tava escrito: Reforma agrária já!

Seu nome gravado em mim

Depois de tanto tempo, depois de vacilar incontáveis vezes sobre como a vida deve seguir e em como/quando deveria ser responsável, depois de me debulhar em planos solúveis, depois de me suspender em uma fria imagem de um homem metido em um paletó com uma gravata brega, eu te vi de relance. Em um dia comum, desses que o suor descia dos meus cabelos até a metade das minhas costas e eu tentava manter a minha compostura, ví de relance seu olhar, que me despia de todos os meus desfarces socias. Em uma clara tentativa de manter as aparências, ignorei seu rosto, único, jovem e desafiador. Não durou nem mesmo um minuto completo para que eu procurasse seus olhos novamente. E alí estavam, no mesmo lugar. No fundo da minha alma, verde escuros ou mel, já não sabia diferenciar, mas eles me dilaceravam, me despiam e em carne viva, tudo que eu podia fazer era te devolver o meu olhar, cansado, porém extremamente interessado em desvendar o porque. Porque esse par de olhos tão únicos resolveram, em meio...

Ad astra.

Hoje me dei conta de que nunca mencionei pra ninguém sobre você. De certa forma, eu não mencionava sobre você nem pra mim mesmo, porque eu nunca entendi realmente tudo. Perdão. Nós éramos apenas duas crianças. Nossa única certeza era ter um ao outro nos finais de tarde, no quintal da sua casa. Você caminhava dando pulinhos, eu sempre achei isso cativante. Na verdade, sua presença me cativou para sempre. Não sei ao certo dizer se estávamos apaixonados, mas creio que sim.  Eu não sabia ao certo o porque de você estar sempre com seus olhos preocupados e cheios de urgência. Depois de te conhecer melhor e conhecer seu mundo, creio que tudo pra você se tornava um medo real, de que por nenhum motivo em especial, você seria brutalmente espancado. Sabe, minha mãe fazia o mesmo, mas me lembro de achar que seus pais faziam isso de uma forma diferente. Duravam longos e angustiantes minutos.  Amigo, eu não podia fazer nada a não ser esperar aterrorizado que você retornasse ao quarto, muita...

Rascunho

Por tanto tempo eu não soube como encarar minhas tristezas reais. Sempre foi mais fácil enfeitá-las, transformar cada fisgada aguda no peito em poema, imagem nostalgica e refrão de músicas. Hoje eu já não sei mais como encarar meus vazios, já que sempe fugi da realidade crua, do que realmente acontece quando essa pressão esmagadora toma conta de mim, mas eu simplesmente não tenho tempo pra tentar entender. Me lembro quando costumava cronometrar quando iria chorar, e encenava pra mim mesmo o momento que sentiria o ápice do lamento, tudo muito inocente e cinematográfico. Hoje, sem permissão, meus olhos se enchem e minha face se contorce em um retrato destorcido e rubro de lamento e angústia. Já não aprecio as lágrimas, mas corro pra secá-las, envergonhado e patético. Com olhos inchados e nariz escorrendo, tento sussurrar pra mim mesmo que tá tudo bem e sigo o compasso do dia.  Eu realmente desejo ser outra pessoa. Meu coração é tolo e ingênuo. Passei a chorar por qualquer demonstraçã...

Tesoura

Nós não nos despedimos propriamente. Depois de tantas lágrimas  e latas de cerveja cheias de bituca de cigarros, nos esvaimos. Eu fingi tão rapidamente um personagem de mim mesmo quando te vi sem querer, pelas ruas que a gente não consegue escapar. Sorri, como sorriem os prisioneiros de guerra já sem motivo ou forças.  Meu sorriso já não entrega nada mas segue estampado dada a ocasião. Eu nem consegui reparar os seus detalhes não consegui observar seus cabelos nem seu sorriso. Sei que ele encontrou o meu, apenas, nada mais do que isso. Não tem desespero não.

Tropeço

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Imprevisto estoico

"(...)Permaneceu imóvel um bom tempo, perguntando-se assombrado como tinha feito para chegar até aquele abismo de desamparo, quando uma mão com todos os dedos esticados, que tateava nas trevas, tropeçou com seu rosto. Não se surpreendeu, porque sem saber havia esperado por aquilo. Então confiou-se àquela mão, e num terrível estado de exaustão deixou-se levar até um lugar sem formas onde tiraram sua roupa e o sacudiram como se fosse um saco de batatas e foi virado pelo avesso e o endireitaram de novo, numa escuridão insondável onde seus braços sobravam, onde já não cheirava a pele, mas a amoníaco, Confusamente consciente de que estava fazendo uma coisa que há muito tempo desejava que fosse possível fazer, e estava fazendo sem saber como, porque não sabia onde estavam os pés e onde estava a cabeça, nem os pés de quem nem a cabeça de quem, e sentindo que não conseguia mais aguentar o rumor glacial de seus rins e o ar de suas tripas, e o medo, e a ânsia atordoada de fugir dali e ao me...
  I walk with others in me yearning to get out Claw at my skin and gnash their teeth and shout One of them wants only to be someone you'd admire One would as soon just throw you on the fire After all is said and after all is done God only knows which of them I'll become.

Condomínio da Braskem

Quando cheguei por aqui, tinha por hábito o ato de preparar chás pela madrugada. De todos os tipos: desde os comuns de limão e gengibre, até os mais elaborados com leite e espuma. Fazia pra agradar e também pra me agarrar a quem eu era antes daqui, seguindo tradições lúdicas maternas. São exatamente 03:56 da manhã de uma segunda-feira. Perdi o sono e depois de incontáveis pesadelos que iam desde ser perseguido por um vampiro ossudo, até um atropelo cinematográfico em camêra lenta com aqueles irmãos de matrix revolutions me dizendo que eu era um bostinha e deveriam me matar porque eu estava poluindo o ambiente com discursos socialistas de que já não me lembro, mas agora não fazem sentido.  Calma, calma, relaxa o corpo o espírito e a alma Também quero homeostase Econômica e ambiental Também quero estabilidade Financeira e emocional O Edgar cantou isso, seguido de um conselho, quase uma ordem ou um mantra: "quebra o zuelejo e deixa a terra entrar". Não Posso quebrar nenhum azuel...

A REALIZAÇÃO É UMA FARSA

Há algum tempo atrás, não muito tempo, agitado pelo carnaval e pelas coisas novas da vida, escrevi as seguintes linhas:  De alguma maneira, vocês cresceram pra que se tornassem todos apenas um. com apenas um coração frio e de rotação acelerada. como as pistas duplas que cortam seus caminhos. Talvez sejam todos apenas meninos assustados que não têm tempo para viver o susto. Era um texto inteiro sobre um transa de carnaval, mas existencialista e totalmente juvenil. Na época, considerava todos por aqui frios e agitados. Quase sempre em terapias intermináveis e atrasados pro trabalho, sem ter dinheiro pro fim de semana e combinando rolês no plano central da cidade mesmo assim. Ao mesmo tempo que minha autossuficiência e audácia juvenil julgava atos alheios, conseguia observar um padrão que viria a se repetir em mim. Hoje sou o menino assustado, sem tempo pro susto, pro rolê, pro plano, pra vida. Meu coração, em contrapartida, nada acelerado. Há tempos, obscuro e cheio de incertezas. A ...

União

Há um sentido implícito nessa palavra que me faz querer escrever sobre. Atribuimos a união há diversos dilemas, paradigamas, pensamentos obsoletos e até mesmo. a um poder divino. Acontece que essa união, entre dois corpos e mentes, para mim, está profundamente atrelada a aspectos mentais e fisiológicos que sempre busquei em mim e senti falta no outros. Busco a união em coisas, objetos, sensações e objetifico ela dessa maneira, como um general que estabelece as ordens da relação entredois soldados. Pragmático, incoscistente, maluco das ideias, que enxerga moinhos enormes entre duas palavras, que se expressa vagamente enquanto diz tudo pra si mesmo, murmurando entre o não entendimento e o entendimento completo do que acontece em tempo real e que anseia para poder se entender, antes de entender o porque discutir. Eu conheço meus receios, medos, angústias, mas não conheço a parte de mim mesmo que externaliza essas carcterísticas como majorotárias em uma união. Eu quero sempre mais, eu gos...
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Parafuso

Eu me dei conta, há não muito tempo, o quão noturno eu sou. Não sei qual foi a sinapse que projetou essa certeza, mas me questiono agora sobre estar sempre na noite. Lembro quando me alegrava quando fazia sol e eu sentia a vontade do calor, quase como necessidade, sede. Hoje o sol me interrompe, me corrói e até me faz mal. Podia romantizar isso a ponto de me descrever como um ser que se transmutou em algo que despreza a luz e suga vitalidade para poder viver, mas prefiro assumir que estou apenas mudando e ficando velho mesmo, cansado. Mas esse pensamento que talvez eu realmente seja um vampiro social, me assusta. Todo mundo anda tão exausto, talvez vocês me entendam. Eu realmente preciso sugar um pouco ás vezes, pra me renovar, para não perdurar no meu eu-de-hoje-amanhã.Pensei em apagar isso enquanto eu escrevia, por isso, vou manter vivo, apenas para contraiar a mim mesmo e a Vanessa.  nota mental: eu amo conhecer em parafuso. Conhecer novamente. Conhecer que desconheço. 

Ciranda do cotidiano

 As vézes, só as vézes é como se tudo precisasse dos olhos fechados de um pouco de nada. O olho enxerga muita coisa que a alma silencia o verde parece mais verde quando você não o enxerga quando distante, os susurros de um dia monótono quando em pé, no meio de um aglomerado ou sentado em uma mesa de bar, as palavras surgem para designar a falta de freio dos olhos abertos abertos em memórias pretéritas condensados de forma furtiva no presente e cheios de vermilhadão do futuro. E tem todo o mar. e tem todas as ondas e tem você de olhos fechados.

Fosse bem mais fácil não ser

Eu penso muito em como as coisas se mechem com o vento. Penso se eu, enquanto coisa, devo me mover com o vento também, ou preciso permanecer gente e aguentar firme a forma como ele me acerta. Duro como tronco de árvore ou leve, como as folhas da planta que deixei morrer na varanda. E assim caminha os dias. Eu o vejo balançar as árvores, levar sacolas, dobrar guarda chuvas, sem pensar muito no esforço o qual ele emprega em tudo isso. Na verdade, eu preciso só pensar nele mesmo, porque pensar no vento me alivia a alma. Como se fossemos antítese: aquele que arrebate tudo sem avisar ou pedir licença e o outro, que só observa e é atingido, vez em quando, pelas coisas que ele movimenta. De certa forma, me sinto meio vento, mas como aprendi a sintetizar meus sentimentos antes de me denominar qualquer coisa que seja, eu me sinto vento na forma. As vezes dissipo. As vezes me esvaio. As vezes nem apareço. E como o vento é parte de uma manifestação múltipla da natureza, que requer outros derivado...

Oportunidades para um pequeno desespero

Tudo girou de novo. Fazia tempo que não me via em espiral relativizando tudo, não aconteceu muita coisa perdido entre pés, mãos, cabeças, línguas, fluídos corporais de toda espécie revisitei por um breve instante o meu reflexo no espelho do banheiro embaçado pela orgia e pela fumaça estive de fora, estive na mira, depois me perdi agora estou preso a caça, agora essa caçada é só um tapete em pedaços. só uma paródia de mim.  mas é só o álcool falando. enquanto eu escutava músicas desconexas de um quarto a outro ecoando como dezenas de animas famintos rodopiava em alguma espécie de robe de seda, e acendendo mais um cigarro  revisitei aquela história do psiquiatra de Pernambuco que, para se conectar consigo mesmo e tentar para de fumar plantava bananeira enquanto fumava dizia não sentir a fumaça permanecendo  tudo isso lendo Jung.  A loucura do ser humano está diretamente ligada a busca pela sanidade  mas quem sou eu pra ser são, antes de enlouquecer? mas quem sou e...

Chama

Um mestre do verso, de olhar destemido,disse uma vez, com certa ironia : "Se lágrima fosse de pedra eu choraria"  Mas eu, Boca, como sempre perdido  Bêbado de sambas e tantos sonhos  Choro a lágrima comum, que todos choram  Embora não tenha, nessas horas, Saudade do passado,  remorso ou mágoas menores  Meu choro, Boca, dolente, por questão de estilo,  É chula quase raiada, solo espontâneo e rude  De um samba nunca terminado  Um rio de murmúrios da memória de meus olhos,  e quando aflora serve, antes de tudo,  Para aliviar o peso das palavras  Que ninguém é de pedra.